Cartas de Alcalar

Crónicas e outros textos. Saúde, Política, Algarve, Vida.
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  • Ensino e Emprego Médico

    Publicado em Janeiro 355, 2010 João Amado Sem comentários

    Publicado na edição de Janeiro de 2010 da Revista Algarve Mais

    Dezembro trouxe no sapatinho à Universidade de Aveiro um Curso de Medicina. Tal “prenda”, antecedida do início do Curso da Universidade do Algarve deu origem a diversas reacções, concordantes e discordantes, com bastante eco na Comunicação Social.

    De todas as vozes que se ouviram, foi certamente a do Bastonário da Ordem dos Médicos a mais controversa. A sua opinião de que há que acautelar a qualidade do ensino e o desemprego médico no futuro é indubitavelmente polémica. Entendo que esta qualificação das suas palavras advém, antes de mais, do facto de que ao Bastonário não bastou ser politicamente correcto e ir ao sabor da corrente. Correndo o risco de ser atacado, como foi, o Dr. Pedro Nunes optou por dizer abertamente a sua opinião, preocupando-se mais com o conteúdo da mensagem que com a sua imagem. Num pais e num tempo em que cada vez mais gente diz o que os outros querem ouvir e não aquilo que realmente pensa, louve-se quem ousa dizer em voz alta o que lhe passa na mente.

    Nesta questão dois factos são indiscutíveis: estamos perante uma carência efectiva de médicos, sendo que este primeiro facto decorre de uma politica demasiado restritiva no que se refere ao acesso aos Cursos de Medicina.

    Tendo razão aqueles que afirmam que o problema reside na deficiente distribuição geográfica dos médicos, tal explicação não chega. Se consultarmos os rácios de médicos nas diferentes regiões do pais e analisarmos ainda a sua distribuição pelas diversas especialidades são notórias as desigualdades que importa corrigir. Efectivamente nunca se enfrentou de frente esta questão. É inevitável criar quotas, mas também incentivos, que levem os médicos a optar por exercer a sua profissão em regiões mais carenciadas, bem como levar os jovens médicos a optar, aquando da escolha da área de especialização, por especialidades médicos onde se fazem sentir particularmente as carências actuais e o aproximar da idade da reforma de muitos dos profissionais actualmente a exercer.

    Mas além das medidas que visem redistribuir melhor os recursos humanos existentes, é fundamental aumentar o seu número principalmente porque as “fornadas” de médicos licenciados em grande número nos anos 70, após o 25 de Abril, estão a atingir a idade da reforma e, antes ainda, a idade que os dispensa de fazer serviço de urgência nocturna. É portanto necessário corrigir o erro de “estreitar” em demasia a entrada nas Faculdades de Medicina, erro que conduziu à situação actual e que, para lá destes efeitos “numéricos”, teve ainda o enorme defeito de afastar do exercício da Medicina excelentes alunos, com competências humanas e técnicas, mas que simplesmente eram “apenas” excelentes e não “excelentíssimos”. Para estes restou a hipótese de fazer os seus estudos em Espanha, na República Checa ou noutra Faculdade no estrangeiro. Restou para aqueles que tinham as condições pessoais, familiares, financeiras e outras que lhes permitissem passar meia dúzia de anos da sua vida emigrados.

    Por todas estas razões é hoje consensual o aumento do número de vagas nos Cursos de Medicina. Mas sem dúvida o Bastonário da Ordem dos Médicos teve a ousadia de questionar o modo. E concorde-se ou discorde-se da sua posição, esta tem o mérito de permitir a todos os que se interessam por estas questões o debate sobre os meios e não apenas sobre o finalidade de aumento dos quadros médicos a médio prazo.

    Importa pensar sobre o modelo de ensino. O aumento do número de vagas deve ser atingido através das Faculdades de Medicina e modelo de ensino “clássico” ou através do aumento do número de cursos, destinados não aos alunos que completam o 12º ano mas a licenciados em áreas contíguas “escolhidos” através de outros métodos que não apenas os tradicionais exames? Os méritos das “velhas escolas” ainda suplantam as suas tradicionais debilidades? A modernidade dos novos cursos supera as esperadas fragilidades? Mais importante que ter uma opinião definitiva, dogmática, é manter a mente aberta para ouvir e discutir diferentes formas de formar médicos, saber como adequá-las às necessidades regionais e nacionais e previligiar a qualidade acima das ideias feitas do que deve ser o ensino médico. Falta da parte do Governo a autorização para abertura de uma Licenciatura através do sector Privado. Nos tempos que correm, no pais europeu e moderno que pretendemos ser, com a opção pelo Estado social que aceita e estimula as parcerias com o sector privado, não faz sentido continuar a impedir a Universidade Católica, por exemplo e porque a sua qualidade não necessita de demonstração, de acrescentar às suas respostas um curso de Medicina.

    Mas cuidado com os números… Tem razão o Dr. Pedro Nunes quando alerta para o desemprego médico. E pense-se um pouco quando se critica esta posição com base no “lobby”. Se abrirmos vagas em demasia, se daqui a dez ou quinze anos houver um excesso de médicos, aqueles que hoje constituem o chamado “lobby” estarão na reforma. O Dr. Pedro Nunes, como a esmagadora maioria dos dirigentes da Ordem, dos Directores Clínicos, Directores de Centros de Saúde, os actuais “barões” da Medicina Privada estarão a terminar, ou terão já terminado a sua carreira. Não é um aviso “interesseiro” mas antes um alerta desinteressado na protecção do futuro.

    Olhem com atenção para o nascimento quase espontâneo de cursos de enfermagem, fisioterapia, direito, psicologia, gestão, etc.. E atentem no resultado, milhares de jovens licenciados desempregados, aumento do trabalho precário, degradação do estatuto remuneratório e das condições de trabalho. Perguntem aos bons psicólogos, enfermeiros ou fisioterapeutas sem emprego ou a trabalhar em condições pouco dignas se não gostariam que alguns anos atrás alguém tivesse alertado para o futuro que lhes estava a ser criado.

  • Portugal: a novela

    Publicado em Janeiro 345, 2010 João Amado Sem comentários

    Publicado na edição de Dezembro da Revista Algarve Mais

    Durante anos, foi moda falar-se do «país real» em contraponto ao país da política, de Lisboa e Porto, da vida supostamente fácil. No «país real», localizado preferencialmente no interior ou na periferia das grandes cidades, viviam os que tinham dificuldades, os que ainda viviam da agricultura, os que tinham problemático acesso à justiça, à saúde, ao emprego. Nesse «país real», de existência tão conveniente para alguns políticos em campanha, as gentes tinham problemas mas eram mais honestas e honradas que os outros, tinham costumes mais genuínos e representavam o verdadeiro Portugal. Convenhamos que era uma visão herdada do Portugal de Salazar, dos portugueses pobres mas honrados, cuja política era o trabalho, que preferiam estar orgulhosamente sós.
    Com o tempo, o termo foi caindo em desuso. Outros clichés tomaram o seu lugar, para gáudio dos humoristas sempre ávidos de novos bordões para as suas sátiras. Pior, desapareceu o termo mas também está a desaparecer o verdadeiro país real. Nas intervenções dos responsáveis e na comunicação social sobra a ficção e a novela, onde falta a informação e a análise.
    Os telejornais mais se assemelham a episódios de telenovela, com todos os ingredientes próprios. Bons contra maus, traições, espionagem, campanhas negras, famílias desavindas, relações perigosas. Os próprios telejornais, jornais e jornalistas são personagens das novelas por eles relatadas.
    Há muitos episódios atrás, dizia-se que o Aníbal tinha renegado a família, prometendo ajudar o José em tudo o que este precisasse. Sendo o José o maior inimigo da família do Aníbal, aquela cooperação resultava em óbvio prejuízo desta. Mas, quando Manuela assumiu o papel de matriarca da família, coincidência ou não, a relação entre Aníbal e José esfriou. Esfriou de tal modo que José acusou Aníbal de, às escondidas, estar a ajudar Manuela a preparar a sua queda. Furioso, Aníbal descobre que José o anda a espiar mas, para desespero de Manuela, decide calar-se, o que acaba por contribuir para o desabar dos planos de Manuela. Com esta de partida, Aníbal e José decidem passar uma esponja no passado e voltam a jurar cooperação eterna.
    Mas nem tudo é um mar de rosas para José. Perseguido ainda pelo fantasma de Alcochete, tarda em livrar-se das suspeitas que o envolvem, vivendo num denso ambiente que jura tratar-se de uma campanha negra orquestrada pelos seus inimigos, com a colaboração inocente de tios e primos. Aos mais íntimos confessa que o seu maior inimigo é o casal Moniz. Nunca o confessa, mas quase todos acreditam que foi José que mandou encerrar as portas da tertúlia de sexta que os Moniz realizavam e onde José era zurzido com frequência. Afirmando-se desconhecedor, e até descontente com o destino dos Moniz, José é alvo de novo golpe de espionagem que parece vir desmenti-lo uma vez mais. Não é que o seu parente Armando, envolvido ao que consta nuns negócios de sucata, tem o telefone sob escuta e terá sido apanhado a combinar com José a forma de se verem livres dos Moniz? Mas eis que, em nova reviravolta, tão normal nestas novelas, Nascimento e Pinto, senhores das escutas, decidem que estas não são importantes e mandam destrui-las, deixando todos em suspenso. Serão as escutas destruídas? Será que Nascimento e Pinto têm razão e tudo não passa de um golpe de baixa espionagem contra José ou, pelo contrário, têm razão os que afirmam que deviam ser tornadas públicas as escutas? Dúvidas que os próximos capítulos não vão, seguramente, esclarecer.No outro clã, entretanto, Manuela derrotada cai em desgraça e Pedro, que nunca gostou dela, quer desesperadamente ocupar o seu lugar. Marcelo, por seu lado, quer mandar mas quer que pareça que não quer, preferindo que outros digam que o querem, de preferência em uníssono. Porém, ao reparar que só alguns, e não todos, chamam por si, em particular alguns de quem não gosta e que, na verdade, não gostam de si, faz saber que agora é que não quer mesmo. Mas, como a história se repete, é quase certo que, à semelhança do passado, iremos assistir a nova descida de Cristo à terra. Quem não parece pelos ajustes são os primos do Porto. O Rui não quer vir para Lisboa e também não quer que o Luís volte, aproveitando Marco para dizer que, se ninguém vai, vai ele. O episódio não acaba sem que, na Madeira, Alberto diga que estão todos loucos.
    Deslumbrados com tão colorida novela em que o país se transformou, quem quer perder um episódio para se preocupar com o número recorde de desempregados, com o déficit das contas públicas que aumenta a cada previsão efectuada, com o terceiro orçamento rectificativo, com a gritante falha de estratégia de comunicação quanto à Gripe A, nomeadamente quanto aos benefícios e desvantagens da vacinação.
    Quem quer ouvir o Primeiro-Ministro ou a líder da oposição, quando pode acompanhar as estórias do José e da Manuela? Quem quer ainda saber do país real que está transformado num estúdio de novela?
  • Uma campanha feliz

    Publicado em Janeiro 334, 2010 João Amado Sem comentários

    Publicado na edição de Novembro da Revista Algarve Mais

    Contra (quase) todos os prognósticos, tenho um novo Presidente. Já escrevi e disse sobre o Rui André tudo o que a razão e a amizade ditaram, e acredito profundamente que Monchique não se arrependerá da escolha que fez. No sábado, dia de reflexão, tive a certeza de ter tomado a decisão certa quando decidi “regressar a casa”. O Rui e a sua equipa, mescla de juventude e experiência, os históricos do PPD Monchique e os independentes que se juntaram aquele desafio, os Monchiquenses que nos apoiaram activamente mas também os Amigos que estiveram noutro lado desta disputa, todos contribuíram para reforçar nesse Sábado a firme intenção de dar mais a Monchique. Quer, no final da noite de Domingo, o Presidente se chamasse Rui André ou Carlos Tuta, nesse dia de reflexão era seguro que a minha vida tinha mudado. 

    Passados mais de 25 anos de militância partidária e múltiplas campanhas, poucas vezes me terei emocionado e divertido tanto numa candidatura. Raramente uma vitória me fez crer tanto na mudança e num futuro melhor para os destinatários da campanha eleitoral. Nunca os abraços significaram tanto, neste mundo muito peculiar da Política. Poucas vezes ouvi um discurso de vitória como o do Rui André: feliz, sereno, determinado, tolerante e motivador. Sem excessos, sem triunfalismos exagerados, sem radicalismos, Rui André tornou-se logo no Domingo, dia 11, o Presidente de todos os Monchiquenses.

    A vitória foi saborosa e o futuro é feito de esperança e de muito trabalho. Sabedores da enorme responsabilidade que a vitória acarretava e da importância de uma campanha séria, responsável e empenhada, quero sublinhar que foram também meses (e em particular as últimas semanas) de alegria e permanente boa disposição.

    Fazer campanha em Monchique, porta a porta, é também um teste de resistência aos excessos gastronómicos. Desenganaram-se os que pensavam que se tratava apenas de “distribuir papéis”. Entregar um programa eleitoral era desafiar o interlocutor a que este nos abrisse as portas da sua casa… Pão com torresmo, sandes de presunto, um pouco de chouriço e morcela (que o diga o Professor Marcelo Rebelo de Sousa…), acompanhados de um cálice de medronho ou melosa eram o pão-nosso de cada dia. As gentes da minha terra sabem mesmo como tratar as visitas. E como é fabuloso haver sítios onde ainda recebem os “políticos” como visitas. Até parece um contra-senso nos dias que correm, ao mesmo tempo, fazer política e fazer amigos. Confesso que houve dias mais complicados para o estômago; salvava-nos o forte espírito de grupo que nos levava a encontrar substitutos à altura sem perder o ritmo, nem a “coesão estratégica”.

    A maior surpresa da campanha estava, no entanto, reservada para a última noite. Durante semanas sentíamos a gritante desigualdade de meios. Nos “brindes”, nos cartazes, na “profissionalização” da campanha, nos carros de som, nos jantares, nos artistas convidados, o Partido Socialista deu uma valente tareia ao PSD. Não que tal fosse preocupante, do meu ponto de vista. Embora “atrapalhasse”, sempre acreditei que essa parafernália de meios não iria impedir a divulgação das ideias e dos candidatos do PSD, nem perturbar o juízo da maioria dos eleitores. Dito isto, aquela última noite foi, mesmo assim, uma enorme surpresa.

    “Comício” marcado para sexta-feira à noite, em Marmelete. Freguesia eminentemente rural, envelhecida como todo o concelho, exemplo de interioridade e de afastamento dos centros de decisão. À medida que a hora se aproximava chegava mais e mais gente. De todas as idades. Para oferecer tínhamos “apenas” as nossas intervenções e esclarecimentos. Nem repasto, nem convidados musicais, nem brindes. Só Política. Só os candidatos aos órgãos autárquicos a enunciar os seus princípios e as suas propostas. Sexta-feira à noite, em Marmelete, cerca de 200 pessoas, a ouvir atentamente, a fazer acenos de concordância ou de discordância, livremente. A chegar ao fim de quase uma hora ainda com vontade para nos abordar, questionar e manifestar o seu apoio ou as suas dúvidas quanto às nossas possibilidades, olhos nos olhos. Para quem, e confesso que por vezes me acontece, descrê da Democracia participativa e do exercício da cidadania, as gentes de Marmelete não poderiam dar melhor exemplo de que a descrença também se combate.

    Que distância entre as gentes de Marmelete e algumas figuras e empresários da região que apareceram nas fotos dos jornais regionais na pré-campanha, capacetes em riste a “oferecer” as suas obras e as suas imagens aos candidatos do poder, embora tivesse a sua piada ver que, a alguns, o calculismo resultou num tiro pela culatra.

    É diante das gentes de Marmelete, e de todos os Monchiquenses, que o Presidente Rui André estará daqui a 4 anos para prestar contas. E se bem o conheço, que bom será passar este tempo a apoiá-lo e à sua equipa.

  • A foto do Barlavento… um abraço sem palavras.

    Publicado em Outubro 1600, 2009 João Amado Sem comentários

    1255614908Rui André com João Amado

  • Monchique Laranja. Obrigado Rui André!

    Publicado em Outubro 1225, 2009 João Amado Sem comentários

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  • Tempo de antena – PSD Monchique

    Publicado em Outubro 102, 2009 João Amado Sem comentários

  • REGRESSO A CASA

    Publicado em Setembro 2912, 2009 João Amado Sem comentários

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    Publicado na edição de Outubro da Revista Algarve Mais

    “A política sem luta é uma sensaboria, a política sem ética é uma vergonha”, afirmou um dia Francisco Sá Carneiro. Deixem-me acrescentar que a política sem emoção é uma chatice.

    Foi em nome dessa emoção que aceitei encabeçar a lista do PSD à Assembleia Municipal de Monchique. Foi aí que nasci, no antigo Hospital hoje Centro de Saúde, foi aí que fiz a chamada Instrução Primária. É aí que me apetece, ainda…, fazer Política.

    Por falar em emoção, que melhor local para um monchiquense se apresentar como candidato pelo PSD que o Restaurante Teresinha? Aqui se juntaram, nos tempos difíceis dos primeiros anos após o 25 de Abril, as figuras fundadoras do então Partido Popular Democrático. Ao lado do meu pai por aí passei, testemunhando um período fulcral da nossa história, na sala original do rés-do-chão com a cumplicidade protetora do Rogério Gervásio e da sua irmã Ana.

    Graças a eles, ao José Loulé, ao “José do forno”, à Luísa Martins, ao José Armando e a tantos outros foi possível tornar Monchique um local de referência para quem quiser fazer a história desse tempo. Como se não bastasse, poder contar com o “apadrinhamento” do Professor Marcelo Rebelo de Sousa e com as suas memórias do nascimento do PPD/PSD foi não a cereja mas a laranja em cima do bolo.

    No capítulo das emoções também não é me possível esconder a satisfação de ter como mandatário aquele que foi, nas primeiras eleições autárquicas da democracia, o único Presidente de Câmara social-democrata a Sul do Tejo. Graças ao José Manuel Nobre Furtado, posso dizer que, na altura, enquanto monchiquense tinha orgulho em ser social-democrata e enquanto social-democrata tinha orgulho em ser monchiquense.

    Acredito que a candidatura do Rui André à Presidência da Câmara, com toda a sua dinâmica, modernidade e juventude, permitirá reviver emoções passadas. Acredito no Rui porque o conheço bem. Conheço as suas qualidades humanas, as suas qualificações profissionais, o seu espírito de entrega e de serviço, a sua capacidade de trabalho político e a sua ambição.

    Desiludam-se no entanto os que esperam que eu me envolva pela negativa na luta partidária da minha terra, da terra dos meus Pais, do meu Avô João, da minha Avó Luz e Liberdade (nome que diz tudo sobre a esperança que o meu Bisavô Quintanova depositava na República…).

    Estou convicto que, tal como José Manuel Furtado, Carlos Tuta quis trabalhar pela sua terra. Outras, e importantes, serão as diferenças entre Rui André e Carlos Tuta, mas um não é mais “monchiqueiro” que o outro, nem a juventude e a vontade de servir Monchique do primeiro será muito diferente do que sentia o segundo há mais de 20 anos atrás. A grande diferença é que Carlos Tuta perdeu o gás, está em gestão corrente à espera da reforma e Rui André quer reformar Monchique, tem o gás todo e, como dizem os mais novos, está muito à frente.

    Da avaliação dos sucessivos mandatos socialistas ficam, entre outros, dois aspectos negativos a que sou particularmente sensível: o abandono e desleixo com que foi tratado o património histórico (e em particular o Colégio de Santa Catarina e o Convento), e ausência de políticas e medidas efetivas de apoio social aos mais idosos num concelho que vem sofrendo fenómenos de envelhecimento e desertificação.

    A Rede de Cuidados Continuados, criada em 2003 pelo governo PSD e pelo Ministro Luís Filipe Pereira, seguida (e para ser honesto melhorada) depois pelo atual Governo, constitui hoje uma resposta fundamental aos mais idosos, doentes e dependentes. Durante 6 longos anos, a Câmara de Monchique não deu um passo para que aí fosse criada uma unidade. Nem por iniciativa própria nem em conjunto com o setor social local. Durante 6 longos anos, e sei do que falo, foram largas dezenas os utentes de Monchique que tiveram que ser tratados em Portimão, em Silves ou noutras localidades, longe da sua família e dos seus haveres.

    Acredito que com o Rui André e a sua equipa, porque defendem o papel da família e os valores humanistas e personalistas, os monchiquenses poderão contar com apoio domiciliário integrado, unidades de internamento e de vida assistida. Acredito porque a sua equipa responde não só pelos princípios que defende, como pelos exemplos que pode dar.

    Ganhe quem ganhar, desejo que rapidamente os próximos autarcas eleitos cumpram uma aspiração antiga de muitos monchiquenses: a realização da justa homenagem ao Dr. Humberto Messias. Cirurgião brilhante, chegou ao topo da sua carreira depois de anos de dedicação aos seus doentes no Hospital de Santa Cruz. Raras serão as famílias de Monchique que, a dado momento das suas vidas, a ele não tenham recorrido. As portas da sua casa, as portas do seu hospital e os seus braços estão, e estiveram sempre, abertos para ajudar quem dele necessita. Sem alarde, discretamente, operou, tratou ou encaminhou para outros colegas centenas de conterrâneos. Cruzavam-se no Serviço de Cirurgia do Hospital de Santa Cruz monchiquenses vindos de Monchique e do Algarve com os que residem na zona da Grande Lisboa. As histórias dos dias bons ajudavam a passar dias difíceis, com o Dr. Humberto Messias a ser o primeiro a sentar-se na cama dos seus doentes, conterrâneos e amigos e dar início a essas amenas cavaqueiras.

    Depois do dia 11, caros Rui André e Carlos Tuta, trabalhem para dar à homenagem a Humberto Messias o brilho que ele merece.

  • UM NOVO HOSPITAL… DE NOVO

    Publicado em Setembro 317, 2009 João Amado Sem comentários

    socratesexpresso

    Imagem Expresso

    Publicado na edição de Setembro da Algarve Mais

    Há mais de 4 anos, na convenção das Novas Fronteiras, João Cravinho, cabeça de lista do PS por Faro à época, apresentou o manifesto eleitoral distrital. Entre os múltiplos compromissos assumidos com solenidade destacavam-se a construção do Hospital Central, o avanço de soluções ferroviárias ligeiras suburbanas e regionais, a conclusão dos projectos de navegabilidade do Arade e a implementação de uma “agenda para a regionalização”. Pois bem, palavras leva-as o vento… Convém que a memória traga as palavras de volta. Que voltem à memória dos eleitores, que à memória socialista voltam certamente, não para que o PS faça um mea culpa pelo seu incumprimento,  para que João Soares repita as promessas do seu antecessor desaparecido em “combate”.

    “Visitas, muitas, para assinatura de protocolos que nunca mais se concretizam e visitas, várias, a terrenos para obras anunciadas mas que não estão sequer programadas ou calendarizadas, de que é exemplo máximo o anunciado Hospital Central do Algarve.” Poderia ser um excerto de um comunicado de Setembro de 2009, enviado por um qualquer Partido de Oposição. Poderia, mas não é. São afirmações do PS em 2005. Quem escreveu este texto tinha certamente capacidades divinatórias pois conseguiu antever, na perfeição, os múltiplos anúncios, cerimónias e visitas dos Ministros da Saúde e do Primeiro-Ministro José Sócrates a propósito do anunciado Hospital Central do Algarve.

    “Infelizmente, ao longo dos dois últimos anos o Governo do PSD/PP veio à Região prometer e anunciar sucessivamente, desde Dezembro de 2002, a construção do Hospital Central do Algarve e o lançamento do seu concurso para início de 2004, final de 2004 e o Verão de 2005, ora em substituição do actual Hospital Distrital de Faro, ora mantendo-o. A verdade é que já ninguém acredita neste Ministro da Saúde.” Para quem era tão ligeiro na crítica a dois anos de governação, não ficam bem os 4 anos e meio de Governo que o PS leva. Parafraseando o PS, é por estas e outras que já ninguém acredita no Primeiro-Ministro.
    Era o PS na Oposição… Ser Oposição faz por vezes dizer coisas diferentes de quando se é Poder. Da Esquerda à Direita, a nível local ou nacional, é por vezes adoptada uma justificação para esta contradição: o desconhecimento da “real situação”. Com frequência superior à desejável, o “novo” Poder recorre à explicação da maldade do “velho” Poder que tudo omitiu, tudo escondeu. No caso vertente, honra seja feita, o PS começou por dizer no Poder o mesmo que afirmara nas promessas de 2005. Na apresentação da candidatura autárquica de Silves, garantia o então Ministro da Saúde socialista Correia de Campos que o projecto daquela unidade de saúde já estava inscrito no plano de investimentos prioritários para o país. Referindo-se ao Hospital Central, dizia: “as promessas são para serem cumpridas” e assegurava que «será construído durante os quatro anos que estão à nossa frente” por se tratar de uma “necessidade evidente”. Passados quatro anos, da evidência nem a sombra, da promessa para ser cumprida nem vestígio. Aliás resta mais que o vestígio, em abono da verdade resta a promessa, tão evidente e tão solene como em 2005. Lá estará ela, no programa eleitoral, nos discursos, nos jantares. E não ficaria admirada se a culpa do incumprimento fosse, uma vez mais, do Governo anterior. Lembram-se da primeira justificação para o incumprimento socialista? A ausência de “estudos” do governo anterior…

    A saga não se ficou por aqui. Em Julho de 2007 foi “apresentado” solenemente o Hospital Central do Algarve. Na ocasião foi possível ouvir do responsável máximo da Saúde: “Vale a pena recordar que o processo político de compromisso com a resposta a esta necessidade sentida no Algarve tem uma história longa. Longa mas nem sempre eficaz na sua materialização até à actual legislatura.” Como quem diz, os nossos antecessores foram ineficazes mas desta é que é. Tanto assim que foi atribuída “elevada prioridade”, esperando-se o lançamento do concurso público no “início de 2008”.

    Em Maio de 2008, no decurso de mais uma cerimónia em terras algarvias a propósito do Hospital Central, José Sócrates justificou os atrasos. Já não eram os famosos estudos mas sim, afirmava o Primeiro-Ministro, o facto de que “os hospitais não se compram nos supermercados”. Resta-nos o consolo de que, nas palavras de Sócrates, o HCA “não é apenas um hospital novo, mas um novo hospital”.

    Mesmo a tempo da campanha eleitoral, foram finalmente seleccionados, em finais de Julho passado, os concorrentes que irão apresentar uma proposta final para a construção do Hospital Central do Algarve. Após quase 5 anos de acusações, promessas e discursos solenes nem o concurso está concluído. Demasiado pouco para quem tanto apregoava.

    Ganhe quem ganhar, espero que, após as próximas eleições legislativas, o HCA seja alvo real da prioridade virtual que lhe tem sido atribuída. Pela minha parte sei em quem votar. Em quem me parecer assegurar menos sessões solenes e mais obra, menos propaganda e mais informação, menos promessas e mais verdade.

  • Um ABC do Algarve

    Publicado em Setembro 349, 2009 João Amado Sem comentários

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    Publicado na edição de Agosto da Algarve Mais

    Agosto é sinónimo de férias para muitos portugueses. É o tempo da silly season, pateta por definição. Patetices com as quais não vale a pena perder tempo. Mais vale lembrar algumas das razões que fazem do Algarve o nosso destino de Verão por excelência. Razões em forma de abecedário, inevitavelmente incompleto e provavelmente injusto. Fica a justificação de que não pretende ser exaustivo, nem rigoroso. Não são as razões. São apenas algumas das minhas, ao correr da pena e da memória. Boas razões para falar bem do Algarve.

    Amado – Uma das boas praias da Costa Vicentina. Para quem quer fugir das praias mais concorridas. Menos mediático, o concelho de Aljezur tem argumentos para merecer várias visitas. Além das praias, a gastronomia. Perceves e batata-doce, o mar e terra.

    Bivalves – Um dos principais recursos da Gastronomia Algarvia. Conquilhas, berbigões, amêijoas, lingueirão, perceves ou mexilhão, a diversidade e qualidade dos bivalves enriquecem os pratos algarvios.

    Cacela – Noites das Mouras Encantadas uma vez por ano, história e gastronomia todo o Verão. As Mouras Encantadas permitem um olhar sobre a cultura, a gastronomia e o artesanato árabes. De relance, mas para todos os efeitos um olhar

    Dias Medievais – É já uma tradição de Castro Marim e uma das maiores festas do Verão Algarvio. Os milhares de visitantes que se dirigem ao castelo nas noites quentes de Agosto são a melhor prova do seu sucesso.

    Estoi – Para os adeptos das Pousadas e para os que ainda não se “converteram”. O Palácio do início do século 20 com nova vida no início do século 21. E já que cá estamos, vale a pena dar um salto às ruínas de Milreu.

    Ferragudo – Ainda não tem a marina mas a zona ribeirinha já merece uma visita. Peixe fresco na grelha, num fim de tarde a olhar Portimão e a Praia da Rocha, depois de um dia de praia nos Caneiros ou no Pintadinho.

    Guadiana – Subir o Rio, de Vila Real de Santo António até Alcoutim com Espanha sempre à vista, proporciona um dia diferente e uma visão única sobre “aquele” Algarve.

    Henrique – O Navegador. Uma visita a Lagos e Sagres é fundamental. É pena não tratarmos melhor a nossa história e também o enorme potencial turístico dos Descobrimentos.

    Ilha – Tavira, Farol, Culatra, Faro. A “minha” é a da Armona. Ainda outro Algarve, aqui rodeado de água por todos os lados.

    João d’Arens – Nome de praia mas também nome de vinho. Depois de muitos anos na “clandestinidade”, o vinho algarvio está de regresso e em força. São cada vez mais os vinhos algarvios, tintos e brancos, disponíveis em também cada vez mais restaurantes da região. A experimentar por quem ainda os não conhece.

    Loulé – A revelação do ano para todos, e eram muitos incluindo algarvios, os que desconheciam a sua existência. As minas de sal-gema da Campina de Cima são o maior espaço subterrâneo que podemos visitar, em Portugal. Os projectos em curso para o local podem torná-lo um dos mais interessantes da região e do país.

    Monchique – Mesmo depois dos incêndios dos últimos anos, o verde domina. Subir à Foia, com paragem nas Caldas, é obrigatório. Para experimentar os pratos tradicionais, a Charrete no centro da vila e ainda o Fernando ou o Luar da Foia.

    Noite – As noites de Verão algarvias são, por si só, um dos melhores motivos para passar por aqui neste período do ano. O clima de sempre aliado à animação proporcionada por autarquias e privados.

    Olhanense – Este ano, e espero que por muitos anos, o Olhanense no topo. Futebol de primeira, para os adeptos do “desporto-rei”.

    Penina – Para quem gosta de golf. Director e profissionais competentes num campo com história.

    Querença – Se outros motivos não existissem, a Festa das Chouriças é um pretexto para abandonar o litoral e passar o barrocal a caminho de Querença.

    Ria – Formosa a Sotavento, Alvor a Barlavento. Apesar de todas as pressões, ainda se mantém o equilíbrio entre a defesa do ambiente e o desenvolvimento.

    Silves – Dos tempos da ocupação árabe aos primórdios da Nação, a História de Silves confunde-se com a do Algarve. O Castelo, a Sé, os Museus e o Arade.

    Tavira – O antigo Mercado Municipal como bom exemplo de recuperação de espaço. História, cultura, património arquitectónico, o rio Gilão e a Ilha. Muitas e boas as razões para visitar Tavira

    Universidade – Em tempo de férias, é bom lembrar o caso de sucesso que tem constituído a Universidade do Algarve aqui e além fronteiras. Um bom exemplo para todos os que querem um Algarve com mais do que sol e mar.

    Vilamoura – A Marina. Outras têm surgido nos últimos anos, incluindo a de Portimão imbatível em vários aspectos como a paisagem da foz do Arade, mas a Marina de Vilamoura continua a ser uma das referências do Verão no Algarve.

    Xarem – No litoral, com conquilhas ou com berbigão. Na serra, papas de milho com toucinho ou chouriço. E até com mel, para os mais gulosos.

    Zoomarine – Numa região que continua a viver muito à sombra do Verão, são muitas as boas ideias que não resistem às agruras dos Invernos. O Zoomarine não só resiste como cresce e evolui.

  • Dr. Caldas de Almeida no Forum Portugal de Verdade

    Publicado em Junho 2659, 2009 João Amado Sem comentários

    I PARTE

    II PARTE

    III PARTE

  • Este Sábado – Entrevista ao Dr. Manuel de Lemos

    Publicado em Junho 2357, 2009 João Amado Sem comentários

    Dr.ManuelLemos

  • AS MISERICÓRDIAS E A SAÚDE: COOPERAÇÃO E QUALIDADE

    Publicado em Junho 2112, 2009 João Amado Sem comentários

  • Dr. Manuel de Lemos em entrevista na Antena 1

    Publicado em Junho 2012, 2009 João Amado Sem comentários

    Vou tentar encontrar a entrevista na íntegra. Importante para as Misericórdias e para o País…

  • Intervenção na Comissão Parlamentar de Saúde

    Publicado em Junho 1827, 2009 João Amado Sem comentários

    I PARTE

    II PARTE

  • Apresentação no IX Congresso da União das Misericórdias Portuguesas

    Publicado em Junho 1848, 2009 João Amado Sem comentários

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    “As Misericórdias e a Saúde – Cooperação e Qualidade”
    III PAINEL
    Preside:
    Dra. Ana Jorge – Ministra da Saúde *
    Moderador:
    Eng. Arlindo Maia – Provedor da Misericórdia de Vila do Conde
    Oradores:
    Dr. Carlos Monjardino – Presidente da Fundação para a Saúde
    Dra. Maria José Nogueira Pinto – Consultora da Fundação Calouste Gulbenkian
    Dr. João Amado – Vice-Provedor da Misericórdia de Portimão