Continuamos à espera do Hospital Central do Algarve… Nem primeira pedra, já 4 anos passados. De visível apenas várias festas, em salões ou nas tendas da moda, onde apenas se promoveu o Primeiro-Ministro e até se anunciou, como grande novidade, tecnologia para 2013 de que o sector privado já dispõe na Região hoje. Aparentemente vem aí o Curso de Medicina. Ao reler este texto publicado há mais de 2 anos no “Barlavento”, achei piada a o Ministro Mariano Gago. Felizmente o tempo parece desmenti-lo. Tanto quanto às promessas socialistas de José Sócrates relativamente ao Hospital…

Durante os últimos anos temos vindo a alimentar (cidadãos, docentes, responsáveis académicos e políticos algarvios) a esperança na instalação de um Curso de Medicina na Região do Algarve. Esperança legítima fundada nas carências em recursos humanos, na necessidade da ligação dos alunos à região de forma a fomentar a sua fixação, na justiça da atribuição a uma região e à sua Universidade de uma valência que sucessivas decisões políticas têm negado.
Com a política de parcerias publico-privadas no sector da Saúde do anterior Governo, cresceu a expectativa da construção de um Hospital Central que fortaleceria ainda mais esta pretensão. Entre avanços e recuos dos dirigentes socialistas, do Ministro Correia de Campos e do próprio Primeiro-Ministro, a evidência que se acentua, mês após mês, é que o actual Governo não sabe ou não quer responder a uma simples pergunta: vai ou não haver um novo Hospital no Algarve?
Sempre entendi que um Curso de Medicina associado a um Hospital Central moderno, com condições físicas e humanas próximas do “estado da arte” da ciência médica, traria um valor acrescentado para a Região. No entanto, também sempre defendi que o não avanço imediato do Hospital não deveria, não poderia, inviabilizar o urgente lançamento daquele Curso. Ainda em recente campanha eleitoral autárquica defendi publicamente, em várias ocasiões, que os actuais estabelecimentos de Saúde algarvios estão à altura das exigências de tal desafio e que a Universidade do Algarve tem vindo a construir um projecto inovador e merecedor do apoio dos autarcas algarvios e da atenção dos responsáveis governamentais.
Conheço o entusiasmo posto pelo actual Reitor da Universidade do Algarve neste desígnio, conheço os prestigiados profissionais envolvidos no seu esboço, ouvi da anterior Ministra Maria da Graça Carvalho o alento e a o apreço pela hipótese da criação deste Curso. Se um Curso de Medicina em moldes tradicionais já tinha razão suficiente de existir na nossa Região, a forma inovadora como tem sido pensado e apresentado, com novos métodos de ensino, em estreita ligação às instituições existentes, com um enfoque especial nos Cuidados Primários (e relembremos que é na área da Medicina Familiar que se vão notar em breve as maiores carências de recursos humanos) e pretendendo formar anualmente um número não muito alargado de Médicos de molde a proporcionar-lhes a melhor formação possível, então estamos a falar não apenas de uma mais valia para a Região mas para o País.
Infelizmente, não é esse o entendimento do Grupo de Missão, do Ministro Mariano Gago e do Governo. Na última edição do programa radiofónico “Diga lá Excelência”, na Rádio Renascença, ouvimos com surpresa o Sr. Ministro anunciar que não haverá “parecer favorável à criação de nenhuma nova Faculdade de Medicina no País”. Observando a necessidade de aumentar o número de vagas, é intenção do Governo aumentar o número de alunos nas Faculdades já existentes ao invés de permitir a abertura de mais um ou dois cursos de Medicina.
Acredito que ainda seja possível levar o Governo a arrepiar caminho. Acredito que se nos envolvermos, se nos empenharmos em demonstrar a nossa Razão, poderemos forçar a reavaliação deste dossier. Enquanto Algarvio, Médico e Autarca darei o meu contributo. Estou certo que outros, possuidores de maior peso político e institucional, também saberão dar o seu.