Europeus? Nós?

tarzanPublicado na edição de Junho da Revista Algarve Mais

Nós, europeus.

Com as campanhas eleitorais chegam as palavras de ordem e os slogans, as frases e as não frases. Em muitos casos privadas de originalidade, noutros plenas de excentricidade.

O PS enveredou, nesta pré-campanha, por uma afirmação que só se compreende se o objetivo não for motivar os eleitores a votar. Aliás, o cartaz que lhe dá corpo é tão desinteressante como o cabeça de lista. Parecem saídos da mente de um fervoroso adepto da velha máxima de que mais vale que falem mal…

O cartaz e a frase lembram Johnny Weissmuller (um europeu que conheceu o sucesso em Hollywood). Lembram o mais famoso Tarzan a bater no peito e a exclamar “me Tarzan, you Jane”.

Nós, europeus. Nós a assinar a adesão. Nós a aderir ao euro. Nós a negociar o tratado de Lisboa. Só falta o cartaz inspirado nas aventuras de Edgar Rice Burroughs: eles, Sócrates e Moreira, por entre gritos e orgulhosas pancadas no peito, a afirmarem-se únicos europeus legítimos.

Na interpretação mais suave, o PS pretende ser mais europeu que os outros partidos. Numa leitura mais vasta, o PS pretende que nós, portugueses, sejamos hoje tão orgulhosamente europeus como antes éramos orgulhosamente sós. É o socialismo em versão xenófoba. “Nós, europeus” afirmam eles com satisfação. Se, como é óbvio, não querem limitar-se a uma mera constatação geográfica ou histórica, a satisfação é uma questão civilizacional. São europeus, não são africanos nem asiáticos. Estão satisfeitos porque são melhores…

Numa Nação que se afirmou pelo período das Descobertas, pela presença secular dos portugueses nos quatro cantos do mundo e pela marcante emigração e imigração, aquele “orgulho” europeu é redutor do papel da Nação e dos portugueses.

Portugal é um país de europeus, de africanos, de americanos, de asiáticos. Muitos de nós somos, porque aqui nascemos, europeus. Outros, porque nasceram em Angola, no Brasil ou em Timor, não o são. Afirmar “nós, europeus” é excluir estes últimos. E não venham, numa atitude paternalista e com vestígios coloniais, incluir todos naquela afirmação.

Conduzir uma campanha a partir de frases feitas e de lugares comuns é evitar que se discuta a Europa. Esta está muito longe de ser a Europa dos Cidadãos de que muitos falam. Atualmente é uma União de Estados, sem política externa comum e a falar a várias vozes. Na realidade, em termos práticos, a transformação da Comunidade Económica Europeia em União Europeia foi pouco mais que uma operação de cosmética aos olhos do cidadão europeu. Falamos dos fundos comunitários, da política agrícola comum, da intervenção no setor das pescas, da moeda única. Ignoramos a política externa, a segurança, a harmonização salarial, as desigualdades sociais. A esta Europa, e a estas eleições, aplica-se em pleno a frase tornada célebre por um assessor de Bill Clinton durante uma das suas campanhas presidenciais: “It’s the economy, stupid!”.

“Não desista somos todos precisos”. Ora aí está outra frase a merecer reflexão. Não tenho dúvidas que outros a farão…

Nós, algarvios.

Quem está satisfeito com a subida à primeira divisão (assim, à moda antiga) da equipa de futebol do Olhanense? Nós, algarvios. Pelo menos aqueles que vão em futebóis, entre os quais me incluo. Para compensar o terceiro lugar do “meu” Benfica, só mesmo a vitória do Olhanense na Liga de Honra.

Nos últimos anos, o Olhanense habituou-nos a um trabalho consistente, persistente e com discrição quanto baste. É justo que tenha dado frutos.

A satisfação de sabor regionalista, no meu caso, é ultrapassada por um maior contentamento de âmbito pessoal e familiar. A minha costela olhanense alegra-se em particular pelo prazer que este feito trará à minha tia Maria de Deus. A mais ferrenha dos olhanenses da família, atleta da primeira equipa feminina de basquetebol do clube em 1964, está a saborear este feito como poucos. Só por isso já valia a pena ir em futebóis.

Nós, algarvios.

Quem tem razões para celebrar os 13 anos do Hospital Particular do Algarve? Nós, algarvios. Inaugurada a 13 de Maio de 1996, a unidade hospitalar de Alvor é hoje uma referência na Saúde algarvia e a base para o crescimento do Grupo HPA. Nas áreas da Cardiologia, da Urologia, da Imagiologia, da Cirurgia e tantas outras, o HPA tem estado na vanguarda em termos regionais, recebendo o reconhecimento dos próprios pares do setor da hospitalização privada nacional. Em tempo de crise, de aumento do desemprego, de diminuição de investimento, o Hospital Particular está prestes a colocar em funcionamento a unidade hospitalar de Faro. O novo Hospital, em Gambelas, disporá da mais avançada tecnologia e dos melhores profissionais, criará dezenas de postos de trabalho, dinamizará a atividade económica e reforçará a imagem da Região junto dos operadores e agentes do setor do turismo.

Este é também o ano da consolidação da unidade de Portimão, Hospital de São Camilo, como parceiro de qualidade de seguradoras e subsistemas de saúde e alternativa de prestação de cuidados aos doentes do concelho e da região.

Ao longo de 13 anos são vários os responsáveis pelo sucesso do grupo. Os administradores, os dirigentes, os funcionários e colaboradores, os parceiros institucionais e, principalmente, os doentes que têm confiado no HPA.

A amizade e as relações pessoais e profissionais não me devem impedir de, publicamente, dirigir os meus parabéns ao Presidente do Conselho de Administração, Dr. João Bacalhau, e a todos os funcionários e colaboradores na pessoa do Dr. Luís Miguel Farinha, Diretor Administrativo. Venham mais treze.

Esta entrada foi publicada em Política com as tags , , , , . ligação permanente.

Deixar uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Pode usar estas tags HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>