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  • REGRESSO A CASA

    Publicado em Setembro 2912, 2009 João Amado Sem comentários

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    Publicado na edição de Outubro da Revista Algarve Mais

    “A política sem luta é uma sensaboria, a política sem ética é uma vergonha”, afirmou um dia Francisco Sá Carneiro. Deixem-me acrescentar que a política sem emoção é uma chatice.

    Foi em nome dessa emoção que aceitei encabeçar a lista do PSD à Assembleia Municipal de Monchique. Foi aí que nasci, no antigo Hospital hoje Centro de Saúde, foi aí que fiz a chamada Instrução Primária. É aí que me apetece, ainda…, fazer Política.

    Por falar em emoção, que melhor local para um monchiquense se apresentar como candidato pelo PSD que o Restaurante Teresinha? Aqui se juntaram, nos tempos difíceis dos primeiros anos após o 25 de Abril, as figuras fundadoras do então Partido Popular Democrático. Ao lado do meu pai por aí passei, testemunhando um período fulcral da nossa história, na sala original do rés-do-chão com a cumplicidade protetora do Rogério Gervásio e da sua irmã Ana.

    Graças a eles, ao José Loulé, ao “José do forno”, à Luísa Martins, ao José Armando e a tantos outros foi possível tornar Monchique um local de referência para quem quiser fazer a história desse tempo. Como se não bastasse, poder contar com o “apadrinhamento” do Professor Marcelo Rebelo de Sousa e com as suas memórias do nascimento do PPD/PSD foi não a cereja mas a laranja em cima do bolo.

    No capítulo das emoções também não é me possível esconder a satisfação de ter como mandatário aquele que foi, nas primeiras eleições autárquicas da democracia, o único Presidente de Câmara social-democrata a Sul do Tejo. Graças ao José Manuel Nobre Furtado, posso dizer que, na altura, enquanto monchiquense tinha orgulho em ser social-democrata e enquanto social-democrata tinha orgulho em ser monchiquense.

    Acredito que a candidatura do Rui André à Presidência da Câmara, com toda a sua dinâmica, modernidade e juventude, permitirá reviver emoções passadas. Acredito no Rui porque o conheço bem. Conheço as suas qualidades humanas, as suas qualificações profissionais, o seu espírito de entrega e de serviço, a sua capacidade de trabalho político e a sua ambição.

    Desiludam-se no entanto os que esperam que eu me envolva pela negativa na luta partidária da minha terra, da terra dos meus Pais, do meu Avô João, da minha Avó Luz e Liberdade (nome que diz tudo sobre a esperança que o meu Bisavô Quintanova depositava na República…).

    Estou convicto que, tal como José Manuel Furtado, Carlos Tuta quis trabalhar pela sua terra. Outras, e importantes, serão as diferenças entre Rui André e Carlos Tuta, mas um não é mais “monchiqueiro” que o outro, nem a juventude e a vontade de servir Monchique do primeiro será muito diferente do que sentia o segundo há mais de 20 anos atrás. A grande diferença é que Carlos Tuta perdeu o gás, está em gestão corrente à espera da reforma e Rui André quer reformar Monchique, tem o gás todo e, como dizem os mais novos, está muito à frente.

    Da avaliação dos sucessivos mandatos socialistas ficam, entre outros, dois aspectos negativos a que sou particularmente sensível: o abandono e desleixo com que foi tratado o património histórico (e em particular o Colégio de Santa Catarina e o Convento), e ausência de políticas e medidas efetivas de apoio social aos mais idosos num concelho que vem sofrendo fenómenos de envelhecimento e desertificação.

    A Rede de Cuidados Continuados, criada em 2003 pelo governo PSD e pelo Ministro Luís Filipe Pereira, seguida (e para ser honesto melhorada) depois pelo atual Governo, constitui hoje uma resposta fundamental aos mais idosos, doentes e dependentes. Durante 6 longos anos, a Câmara de Monchique não deu um passo para que aí fosse criada uma unidade. Nem por iniciativa própria nem em conjunto com o setor social local. Durante 6 longos anos, e sei do que falo, foram largas dezenas os utentes de Monchique que tiveram que ser tratados em Portimão, em Silves ou noutras localidades, longe da sua família e dos seus haveres.

    Acredito que com o Rui André e a sua equipa, porque defendem o papel da família e os valores humanistas e personalistas, os monchiquenses poderão contar com apoio domiciliário integrado, unidades de internamento e de vida assistida. Acredito porque a sua equipa responde não só pelos princípios que defende, como pelos exemplos que pode dar.

    Ganhe quem ganhar, desejo que rapidamente os próximos autarcas eleitos cumpram uma aspiração antiga de muitos monchiquenses: a realização da justa homenagem ao Dr. Humberto Messias. Cirurgião brilhante, chegou ao topo da sua carreira depois de anos de dedicação aos seus doentes no Hospital de Santa Cruz. Raras serão as famílias de Monchique que, a dado momento das suas vidas, a ele não tenham recorrido. As portas da sua casa, as portas do seu hospital e os seus braços estão, e estiveram sempre, abertos para ajudar quem dele necessita. Sem alarde, discretamente, operou, tratou ou encaminhou para outros colegas centenas de conterrâneos. Cruzavam-se no Serviço de Cirurgia do Hospital de Santa Cruz monchiquenses vindos de Monchique e do Algarve com os que residem na zona da Grande Lisboa. As histórias dos dias bons ajudavam a passar dias difíceis, com o Dr. Humberto Messias a ser o primeiro a sentar-se na cama dos seus doentes, conterrâneos e amigos e dar início a essas amenas cavaqueiras.

    Depois do dia 11, caros Rui André e Carlos Tuta, trabalhem para dar à homenagem a Humberto Messias o brilho que ele merece.

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