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  • Uma campanha feliz

    Publicado em Janeiro 334, 2010 João Amado Sem comentários

    Publicado na edição de Novembro da Revista Algarve Mais

    Contra (quase) todos os prognósticos, tenho um novo Presidente. Já escrevi e disse sobre o Rui André tudo o que a razão e a amizade ditaram, e acredito profundamente que Monchique não se arrependerá da escolha que fez. No sábado, dia de reflexão, tive a certeza de ter tomado a decisão certa quando decidi “regressar a casa”. O Rui e a sua equipa, mescla de juventude e experiência, os históricos do PPD Monchique e os independentes que se juntaram aquele desafio, os Monchiquenses que nos apoiaram activamente mas também os Amigos que estiveram noutro lado desta disputa, todos contribuíram para reforçar nesse Sábado a firme intenção de dar mais a Monchique. Quer, no final da noite de Domingo, o Presidente se chamasse Rui André ou Carlos Tuta, nesse dia de reflexão era seguro que a minha vida tinha mudado. 

    Passados mais de 25 anos de militância partidária e múltiplas campanhas, poucas vezes me terei emocionado e divertido tanto numa candidatura. Raramente uma vitória me fez crer tanto na mudança e num futuro melhor para os destinatários da campanha eleitoral. Nunca os abraços significaram tanto, neste mundo muito peculiar da Política. Poucas vezes ouvi um discurso de vitória como o do Rui André: feliz, sereno, determinado, tolerante e motivador. Sem excessos, sem triunfalismos exagerados, sem radicalismos, Rui André tornou-se logo no Domingo, dia 11, o Presidente de todos os Monchiquenses.

    A vitória foi saborosa e o futuro é feito de esperança e de muito trabalho. Sabedores da enorme responsabilidade que a vitória acarretava e da importância de uma campanha séria, responsável e empenhada, quero sublinhar que foram também meses (e em particular as últimas semanas) de alegria e permanente boa disposição.

    Fazer campanha em Monchique, porta a porta, é também um teste de resistência aos excessos gastronómicos. Desenganaram-se os que pensavam que se tratava apenas de “distribuir papéis”. Entregar um programa eleitoral era desafiar o interlocutor a que este nos abrisse as portas da sua casa… Pão com torresmo, sandes de presunto, um pouco de chouriço e morcela (que o diga o Professor Marcelo Rebelo de Sousa…), acompanhados de um cálice de medronho ou melosa eram o pão-nosso de cada dia. As gentes da minha terra sabem mesmo como tratar as visitas. E como é fabuloso haver sítios onde ainda recebem os “políticos” como visitas. Até parece um contra-senso nos dias que correm, ao mesmo tempo, fazer política e fazer amigos. Confesso que houve dias mais complicados para o estômago; salvava-nos o forte espírito de grupo que nos levava a encontrar substitutos à altura sem perder o ritmo, nem a “coesão estratégica”.

    A maior surpresa da campanha estava, no entanto, reservada para a última noite. Durante semanas sentíamos a gritante desigualdade de meios. Nos “brindes”, nos cartazes, na “profissionalização” da campanha, nos carros de som, nos jantares, nos artistas convidados, o Partido Socialista deu uma valente tareia ao PSD. Não que tal fosse preocupante, do meu ponto de vista. Embora “atrapalhasse”, sempre acreditei que essa parafernália de meios não iria impedir a divulgação das ideias e dos candidatos do PSD, nem perturbar o juízo da maioria dos eleitores. Dito isto, aquela última noite foi, mesmo assim, uma enorme surpresa.

    “Comício” marcado para sexta-feira à noite, em Marmelete. Freguesia eminentemente rural, envelhecida como todo o concelho, exemplo de interioridade e de afastamento dos centros de decisão. À medida que a hora se aproximava chegava mais e mais gente. De todas as idades. Para oferecer tínhamos “apenas” as nossas intervenções e esclarecimentos. Nem repasto, nem convidados musicais, nem brindes. Só Política. Só os candidatos aos órgãos autárquicos a enunciar os seus princípios e as suas propostas. Sexta-feira à noite, em Marmelete, cerca de 200 pessoas, a ouvir atentamente, a fazer acenos de concordância ou de discordância, livremente. A chegar ao fim de quase uma hora ainda com vontade para nos abordar, questionar e manifestar o seu apoio ou as suas dúvidas quanto às nossas possibilidades, olhos nos olhos. Para quem, e confesso que por vezes me acontece, descrê da Democracia participativa e do exercício da cidadania, as gentes de Marmelete não poderiam dar melhor exemplo de que a descrença também se combate.

    Que distância entre as gentes de Marmelete e algumas figuras e empresários da região que apareceram nas fotos dos jornais regionais na pré-campanha, capacetes em riste a “oferecer” as suas obras e as suas imagens aos candidatos do poder, embora tivesse a sua piada ver que, a alguns, o calculismo resultou num tiro pela culatra.

    É diante das gentes de Marmelete, e de todos os Monchiquenses, que o Presidente Rui André estará daqui a 4 anos para prestar contas. E se bem o conheço, que bom será passar este tempo a apoiá-lo e à sua equipa.

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