Uma campanha feliz

Publicado na edição de Novembro da Revista Algarve Mais

Contra (quase) todos os prognósticos, tenho um novo Presidente. Já escrevi e disse sobre o Rui André tudo o que a razão e a amizade ditaram, e acredito profundamente que Monchique não se arrependerá da escolha que fez. No sábado, dia de reflexão, tive a certeza de ter tomado a decisão certa quando decidi “regressar a casa”. O Rui e a sua equipa, mescla de juventude e experiência, os históricos do PPD Monchique e os independentes que se juntaram aquele desafio, os Monchiquenses que nos apoiaram activamente mas também os Amigos que estiveram noutro lado desta disputa, todos contribuíram para reforçar nesse Sábado a firme intenção de dar mais a Monchique. Quer, no final da noite de Domingo, o Presidente se chamasse Rui André ou Carlos Tuta, nesse dia de reflexão era seguro que a minha vida tinha mudado. 

Passados mais de 25 anos de militância partidária e múltiplas campanhas, poucas vezes me terei emocionado e divertido tanto numa candidatura. Raramente uma vitória me fez crer tanto na mudança e num futuro melhor para os destinatários da campanha eleitoral. Nunca os abraços significaram tanto, neste mundo muito peculiar da Política. Poucas vezes ouvi um discurso de vitória como o do Rui André: feliz, sereno, determinado, tolerante e motivador. Sem excessos, sem triunfalismos exagerados, sem radicalismos, Rui André tornou-se logo no Domingo, dia 11, o Presidente de todos os Monchiquenses.

A vitória foi saborosa e o futuro é feito de esperança e de muito trabalho. Sabedores da enorme responsabilidade que a vitória acarretava e da importância de uma campanha séria, responsável e empenhada, quero sublinhar que foram também meses (e em particular as últimas semanas) de alegria e permanente boa disposição.

Fazer campanha em Monchique, porta a porta, é também um teste de resistência aos excessos gastronómicos. Desenganaram-se os que pensavam que se tratava apenas de “distribuir papéis”. Entregar um programa eleitoral era desafiar o interlocutor a que este nos abrisse as portas da sua casa… Pão com torresmo, sandes de presunto, um pouco de chouriço e morcela (que o diga o Professor Marcelo Rebelo de Sousa…), acompanhados de um cálice de medronho ou melosa eram o pão-nosso de cada dia. As gentes da minha terra sabem mesmo como tratar as visitas. E como é fabuloso haver sítios onde ainda recebem os “políticos” como visitas. Até parece um contra-senso nos dias que correm, ao mesmo tempo, fazer política e fazer amigos. Confesso que houve dias mais complicados para o estômago; salvava-nos o forte espírito de grupo que nos levava a encontrar substitutos à altura sem perder o ritmo, nem a “coesão estratégica”.

A maior surpresa da campanha estava, no entanto, reservada para a última noite. Durante semanas sentíamos a gritante desigualdade de meios. Nos “brindes”, nos cartazes, na “profissionalização” da campanha, nos carros de som, nos jantares, nos artistas convidados, o Partido Socialista deu uma valente tareia ao PSD. Não que tal fosse preocupante, do meu ponto de vista. Embora “atrapalhasse”, sempre acreditei que essa parafernália de meios não iria impedir a divulgação das ideias e dos candidatos do PSD, nem perturbar o juízo da maioria dos eleitores. Dito isto, aquela última noite foi, mesmo assim, uma enorme surpresa.

“Comício” marcado para sexta-feira à noite, em Marmelete. Freguesia eminentemente rural, envelhecida como todo o concelho, exemplo de interioridade e de afastamento dos centros de decisão. À medida que a hora se aproximava chegava mais e mais gente. De todas as idades. Para oferecer tínhamos “apenas” as nossas intervenções e esclarecimentos. Nem repasto, nem convidados musicais, nem brindes. Só Política. Só os candidatos aos órgãos autárquicos a enunciar os seus princípios e as suas propostas. Sexta-feira à noite, em Marmelete, cerca de 200 pessoas, a ouvir atentamente, a fazer acenos de concordância ou de discordância, livremente. A chegar ao fim de quase uma hora ainda com vontade para nos abordar, questionar e manifestar o seu apoio ou as suas dúvidas quanto às nossas possibilidades, olhos nos olhos. Para quem, e confesso que por vezes me acontece, descrê da Democracia participativa e do exercício da cidadania, as gentes de Marmelete não poderiam dar melhor exemplo de que a descrença também se combate.

Que distância entre as gentes de Marmelete e algumas figuras e empresários da região que apareceram nas fotos dos jornais regionais na pré-campanha, capacetes em riste a “oferecer” as suas obras e as suas imagens aos candidatos do poder, embora tivesse a sua piada ver que, a alguns, o calculismo resultou num tiro pela culatra.

É diante das gentes de Marmelete, e de todos os Monchiquenses, que o Presidente Rui André estará daqui a 4 anos para prestar contas. E se bem o conheço, que bom será passar este tempo a apoiá-lo e à sua equipa.

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