Romper, mudar, unir

Crónica a publicar na edição de Março de 2010 da revista Algarve Mais

À data em que escrevo esta crónica, perfilam-se três candidatos à Presidência do PSD. Nesta altura, além dos seus nomes, conhecemos pouco mais que o nome de alguns apoiantes e três palavras-chave.

Pedro Passos Coelho propõe-se mudar o PSD e o País. Paulo Rangel quer romper com o passado recente do PSD e do País. José Pedro Aguiar Branco ambiciona unir o Partido e o País.

Quanto aos candidatos, diferentes perfis e experiências mas a mesma vontade de ganhar. Desta vez, nenhum dos candidatos à Presidência do PSD parece estar a fazer um frete. Melhor, para os militantes e simpatizantes do PSD mas também para todos nós, qualquer um deles será potencialmente um bom Primeiro-Ministro. Rangel tem um percurso político mais curto, no que diz respeito à visibilidade pública e à sua militância no PSD, mais experiência parlamentar que governativa e uma candidatura europeia vitoriosa, altura em que deixou evidentes as capacidades oratórias e políticas.

Aguiar Branco é um valor seguro, uma aposta de baixo risco. Desde há longos anos presente na vida partidária, empenhado em combates locais e na distrital do Porto, habituado a perder e a ganhar. Não desiste facilmente e mantém-se como militante activo após vitórias e derrotas. À experiência parlamentar associa a experiência governativa. Não teve ainda oportunidade de testar, em eleições extra-partidárias de realce, a sua valia em campanha eleitoral.

Passos Coelho cresceu com o PSD. Conhece bem o Partido e os seus dirigentes a vários níveis. Teve um percurso na Jota que lhe vale, pelas qualidades que então demonstrou, muitos amigos e solidariedades políticas. Esteve no Parlamento, provou a sua disponibilidade para o combate autárquico (nem sempre com sucesso nas urnas), faltando-lhe a experiência governativa. Soube, no entanto, interromper o ciclo partidário, iniciado ainda muito novo na JSD, para se valorizar em termos académicos e profissionais, regressando com Marques Mendes escudado nessa mais-valia.

Poderia haver melhores candidatos à Presidência do PSD e, consequentemente, ao cargo de Primeiro-Ministro. Poderia até uma síntese destes candidatos ser uma melhor solução que cada um deles isoladamente. A realidade é que esta busca, no PSD, do líder ideal tem tido elevados custos para o Partido, e para o País. Para o PSD porque lhe tem acarretado pesadas derrotas eleitorais. Para o País porque a ausência de uma alternativa séria e credível contribuiu para um pior desempenho do partido do poder, por falta de adversário. Assim, independentemente do vencedor, é fundamental que no dia seguinte  o PSD inicie um novo ciclo de credibilização perante os eleitores.

Vai  ser necessário romper com o modo autofágico como o PSD tem lidado com os últimos Presidentes. Vai se necessário romper com a forma autocrática de governação do País que caracteriza os Governos de José Sócrates.

O PSD vai ter que mudar os seus protagonistas e o estilo e conteúdo das suas propostas. Só através dessa mudança poderá convencer os portugueses de que é possível mudar o País. Já não basta conseguir convencer os portugueses a mudar de Governo, o PSD tem que saber motivar e contar com os portugueses para a realização das reformas adiadas.

O novo líder, e potencial Primeiro-Ministro, até pode romper e mudar mas nada conseguirá se não unir. Unir o PSD e unir Portugal. E não se trata da unidade artificial, de fachada, em troca de interesses comuns. O PSD tem que fazer a sua catarse, perceber o que quer, como quer e com quem quer, para depois partir em busca da confiança dos portugueses. Quando o fizer estará em condições de se unir em torno do líder, falando para fora a uma só voz, mas retomando a tradição saudável de debate interno nas secções, nas distritais e a nível nacional.

Por fim, o novo líder tem que contribuir para unir o País. Para isso tem que falar verdade, expor dificuldades, clarificar os problemas económicos e sociais presentes e as suas consequências futuras. Não pode ficar por aí. O retrato da realidade não pode ser transformado numa atitude derrotista ou numa visão conformada  sobre o futuro de Portugal.  Temos que voltar a acreditar na Justiça, a confiar num Estado solidário, a crer na recuperação económica.

Acredito que o próximo líder do PSD pode trazer a Portugal uma nova esperança. Não ficarei indiferente, enquanto militante do PSD, ao combate que se adivinha. Não me esconderei atrás de uma qualquer imparcialidade cómoda e escolherei, na altura própria, o meu candidato. Será uma escolha desprovida de qualquer angústia porque pela positiva, por e não contra alguém. Acredito que o futuro Presidente do PSD irá romper, mudar e unir.

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