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  • UM NOVO HOSPITAL… DE NOVO

    Publicado em Setembro 317, 2009 João Amado Sem comentários

    socratesexpresso

    Imagem Expresso

    Publicado na edição de Setembro da Algarve Mais

    Há mais de 4 anos, na convenção das Novas Fronteiras, João Cravinho, cabeça de lista do PS por Faro à época, apresentou o manifesto eleitoral distrital. Entre os múltiplos compromissos assumidos com solenidade destacavam-se a construção do Hospital Central, o avanço de soluções ferroviárias ligeiras suburbanas e regionais, a conclusão dos projectos de navegabilidade do Arade e a implementação de uma “agenda para a regionalização”. Pois bem, palavras leva-as o vento… Convém que a memória traga as palavras de volta. Que voltem à memória dos eleitores, que à memória socialista voltam certamente, não para que o PS faça um mea culpa pelo seu incumprimento,  para que João Soares repita as promessas do seu antecessor desaparecido em “combate”.

    “Visitas, muitas, para assinatura de protocolos que nunca mais se concretizam e visitas, várias, a terrenos para obras anunciadas mas que não estão sequer programadas ou calendarizadas, de que é exemplo máximo o anunciado Hospital Central do Algarve.” Poderia ser um excerto de um comunicado de Setembro de 2009, enviado por um qualquer Partido de Oposição. Poderia, mas não é. São afirmações do PS em 2005. Quem escreveu este texto tinha certamente capacidades divinatórias pois conseguiu antever, na perfeição, os múltiplos anúncios, cerimónias e visitas dos Ministros da Saúde e do Primeiro-Ministro José Sócrates a propósito do anunciado Hospital Central do Algarve.

    “Infelizmente, ao longo dos dois últimos anos o Governo do PSD/PP veio à Região prometer e anunciar sucessivamente, desde Dezembro de 2002, a construção do Hospital Central do Algarve e o lançamento do seu concurso para início de 2004, final de 2004 e o Verão de 2005, ora em substituição do actual Hospital Distrital de Faro, ora mantendo-o. A verdade é que já ninguém acredita neste Ministro da Saúde.” Para quem era tão ligeiro na crítica a dois anos de governação, não ficam bem os 4 anos e meio de Governo que o PS leva. Parafraseando o PS, é por estas e outras que já ninguém acredita no Primeiro-Ministro.
    Era o PS na Oposição… Ser Oposição faz por vezes dizer coisas diferentes de quando se é Poder. Da Esquerda à Direita, a nível local ou nacional, é por vezes adoptada uma justificação para esta contradição: o desconhecimento da “real situação”. Com frequência superior à desejável, o “novo” Poder recorre à explicação da maldade do “velho” Poder que tudo omitiu, tudo escondeu. No caso vertente, honra seja feita, o PS começou por dizer no Poder o mesmo que afirmara nas promessas de 2005. Na apresentação da candidatura autárquica de Silves, garantia o então Ministro da Saúde socialista Correia de Campos que o projecto daquela unidade de saúde já estava inscrito no plano de investimentos prioritários para o país. Referindo-se ao Hospital Central, dizia: “as promessas são para serem cumpridas” e assegurava que «será construído durante os quatro anos que estão à nossa frente” por se tratar de uma “necessidade evidente”. Passados quatro anos, da evidência nem a sombra, da promessa para ser cumprida nem vestígio. Aliás resta mais que o vestígio, em abono da verdade resta a promessa, tão evidente e tão solene como em 2005. Lá estará ela, no programa eleitoral, nos discursos, nos jantares. E não ficaria admirada se a culpa do incumprimento fosse, uma vez mais, do Governo anterior. Lembram-se da primeira justificação para o incumprimento socialista? A ausência de “estudos” do governo anterior…

    A saga não se ficou por aqui. Em Julho de 2007 foi “apresentado” solenemente o Hospital Central do Algarve. Na ocasião foi possível ouvir do responsável máximo da Saúde: “Vale a pena recordar que o processo político de compromisso com a resposta a esta necessidade sentida no Algarve tem uma história longa. Longa mas nem sempre eficaz na sua materialização até à actual legislatura.” Como quem diz, os nossos antecessores foram ineficazes mas desta é que é. Tanto assim que foi atribuída “elevada prioridade”, esperando-se o lançamento do concurso público no “início de 2008”.

    Em Maio de 2008, no decurso de mais uma cerimónia em terras algarvias a propósito do Hospital Central, José Sócrates justificou os atrasos. Já não eram os famosos estudos mas sim, afirmava o Primeiro-Ministro, o facto de que “os hospitais não se compram nos supermercados”. Resta-nos o consolo de que, nas palavras de Sócrates, o HCA “não é apenas um hospital novo, mas um novo hospital”.

    Mesmo a tempo da campanha eleitoral, foram finalmente seleccionados, em finais de Julho passado, os concorrentes que irão apresentar uma proposta final para a construção do Hospital Central do Algarve. Após quase 5 anos de acusações, promessas e discursos solenes nem o concurso está concluído. Demasiado pouco para quem tanto apregoava.

    Ganhe quem ganhar, espero que, após as próximas eleições legislativas, o HCA seja alvo real da prioridade virtual que lhe tem sido atribuída. Pela minha parte sei em quem votar. Em quem me parecer assegurar menos sessões solenes e mais obra, menos propaganda e mais informação, menos promessas e mais verdade.

  • Europeus? Nós?

    Publicado em Maio 3120, 2009 João Amado Sem comentários

    tarzanPublicado na edição de Junho da Revista Algarve Mais

    Nós, europeus.

    Com as campanhas eleitorais chegam as palavras de ordem e os slogans, as frases e as não frases. Em muitos casos privadas de originalidade, noutros plenas de excentricidade.

    O PS enveredou, nesta pré-campanha, por uma afirmação que só se compreende se o objetivo não for motivar os eleitores a votar. Aliás, o cartaz que lhe dá corpo é tão desinteressante como o cabeça de lista. Parecem saídos da mente de um fervoroso adepto da velha máxima de que mais vale que falem mal…

    O cartaz e a frase lembram Johnny Weissmuller (um europeu que conheceu o sucesso em Hollywood). Lembram o mais famoso Tarzan a bater no peito e a exclamar “me Tarzan, you Jane”.

    Nós, europeus. Nós a assinar a adesão. Nós a aderir ao euro. Nós a negociar o tratado de Lisboa. Só falta o cartaz inspirado nas aventuras de Edgar Rice Burroughs: eles, Sócrates e Moreira, por entre gritos e orgulhosas pancadas no peito, a afirmarem-se únicos europeus legítimos.

    Na interpretação mais suave, o PS pretende ser mais europeu que os outros partidos. Numa leitura mais vasta, o PS pretende que nós, portugueses, sejamos hoje tão orgulhosamente europeus como antes éramos orgulhosamente sós. É o socialismo em versão xenófoba. “Nós, europeus” afirmam eles com satisfação. Se, como é óbvio, não querem limitar-se a uma mera constatação geográfica ou histórica, a satisfação é uma questão civilizacional. São europeus, não são africanos nem asiáticos. Estão satisfeitos porque são melhores…

    Numa Nação que se afirmou pelo período das Descobertas, pela presença secular dos portugueses nos quatro cantos do mundo e pela marcante emigração e imigração, aquele “orgulho” europeu é redutor do papel da Nação e dos portugueses.

    Portugal é um país de europeus, de africanos, de americanos, de asiáticos. Muitos de nós somos, porque aqui nascemos, europeus. Outros, porque nasceram em Angola, no Brasil ou em Timor, não o são. Afirmar “nós, europeus” é excluir estes últimos. E não venham, numa atitude paternalista e com vestígios coloniais, incluir todos naquela afirmação.

    Conduzir uma campanha a partir de frases feitas e de lugares comuns é evitar que se discuta a Europa. Esta está muito longe de ser a Europa dos Cidadãos de que muitos falam. Atualmente é uma União de Estados, sem política externa comum e a falar a várias vozes. Na realidade, em termos práticos, a transformação da Comunidade Económica Europeia em União Europeia foi pouco mais que uma operação de cosmética aos olhos do cidadão europeu. Falamos dos fundos comunitários, da política agrícola comum, da intervenção no setor das pescas, da moeda única. Ignoramos a política externa, a segurança, a harmonização salarial, as desigualdades sociais. A esta Europa, e a estas eleições, aplica-se em pleno a frase tornada célebre por um assessor de Bill Clinton durante uma das suas campanhas presidenciais: “It’s the economy, stupid!”.

    “Não desista somos todos precisos”. Ora aí está outra frase a merecer reflexão. Não tenho dúvidas que outros a farão…

    Nós, algarvios.

    Quem está satisfeito com a subida à primeira divisão (assim, à moda antiga) da equipa de futebol do Olhanense? Nós, algarvios. Pelo menos aqueles que vão em futebóis, entre os quais me incluo. Para compensar o terceiro lugar do “meu” Benfica, só mesmo a vitória do Olhanense na Liga de Honra.

    Nos últimos anos, o Olhanense habituou-nos a um trabalho consistente, persistente e com discrição quanto baste. É justo que tenha dado frutos.

    A satisfação de sabor regionalista, no meu caso, é ultrapassada por um maior contentamento de âmbito pessoal e familiar. A minha costela olhanense alegra-se em particular pelo prazer que este feito trará à minha tia Maria de Deus. A mais ferrenha dos olhanenses da família, atleta da primeira equipa feminina de basquetebol do clube em 1964, está a saborear este feito como poucos. Só por isso já valia a pena ir em futebóis.

    Nós, algarvios.

    Quem tem razões para celebrar os 13 anos do Hospital Particular do Algarve? Nós, algarvios. Inaugurada a 13 de Maio de 1996, a unidade hospitalar de Alvor é hoje uma referência na Saúde algarvia e a base para o crescimento do Grupo HPA. Nas áreas da Cardiologia, da Urologia, da Imagiologia, da Cirurgia e tantas outras, o HPA tem estado na vanguarda em termos regionais, recebendo o reconhecimento dos próprios pares do setor da hospitalização privada nacional. Em tempo de crise, de aumento do desemprego, de diminuição de investimento, o Hospital Particular está prestes a colocar em funcionamento a unidade hospitalar de Faro. O novo Hospital, em Gambelas, disporá da mais avançada tecnologia e dos melhores profissionais, criará dezenas de postos de trabalho, dinamizará a atividade económica e reforçará a imagem da Região junto dos operadores e agentes do setor do turismo.

    Este é também o ano da consolidação da unidade de Portimão, Hospital de São Camilo, como parceiro de qualidade de seguradoras e subsistemas de saúde e alternativa de prestação de cuidados aos doentes do concelho e da região.

    Ao longo de 13 anos são vários os responsáveis pelo sucesso do grupo. Os administradores, os dirigentes, os funcionários e colaboradores, os parceiros institucionais e, principalmente, os doentes que têm confiado no HPA.

    A amizade e as relações pessoais e profissionais não me devem impedir de, publicamente, dirigir os meus parabéns ao Presidente do Conselho de Administração, Dr. João Bacalhau, e a todos os funcionários e colaboradores na pessoa do Dr. Luís Miguel Farinha, Diretor Administrativo. Venham mais treze.

  • O Ministro Coordenador

    Publicado em Março 3145, 2009 João Amado Sem comentários

    vs22

    Calculo que, durante o ano, o Ministro/coordenador convide os responsáveis das IPSS a estar presentes em cerimónias oficiais. Suspeito que o Coordenador/ministro convide os responsáveis das IPSS, na sua qualidade de cidadãos…, a estar presentes em almoços, jantares e outros eventos partidários. Vai ser cada “petisco”!

    É que há convites muito difíceis de recusar. E então por quem dirige pequenas instituições, muito dependentes dos acordos com o Estado para a prossecução das suas actividades, mas também muito intervenientes e influentes no tecido social local. Conheço quem leve muito a sério a ameaça “quem se mete com o PS leva”.

    Imagem original RTP